quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A Pranteadora Ausente


Diversos jazigos que encontramos em campos santos estão vazios. Suas peças são removidas e postas à venda em coleções de antiguidades. Um dos casos mais interessantes é o do Carlos Trein Filho no Cemitério Evangélico. Ele é abordado pela pesquisadora Luiza Carvalho em sua tese (2009):



(CARVALHO, 2009: 188-189)


Atualmente o jazigo continua vago, em fotografias obtidas em 2009 podem ser constatadas a falta da estátua, placas, vasos e o antigo nome removido. Não foram encontradas informações sobre quem comprou a pranteadora.


Falta das letras.

Detalhe da parte onde ficavam vasos de flores e pés da estátua.


A tese da Luiza analisa as pranteadoras do Cemitério Evangélico de Porto Alegre. Está disponível no seguinte endereço: http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/15708?show=full


sábado, 16 de janeiro de 2010

Fotos do Livro Cemitérios da Província

Ao final de 2009 foi lançado o livro Cemitérios da Província. Nele temos a pesquisa de Lívia Sorio e imagens feitas por Bruno Gularte Barreto. O fotógrafo prima por uma bela sensibilidade com ângulos bem enfocados nas faces das estátuas. Abaixo vai o vídeo com algumas dessas fotografias. São túmulos dos cemitérios da Santa Casa e do São Miguel e Almas (ambos de Porto Alegre).

Site do projeto: http://www.cemiteriosdaprovincia.com.br


segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Mais um Vídeo da Visita Guiada aos Cemitérios

Um programa de TV elaborou na época (27/06/2009) do passeio do Viva o Centro a Pé

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Monumento Novo na Santa Casa

Quem visita o Cemitério da Santa Casa se impressiona com um túmulo que leva uma estátua de paraquedista. Aproximando-se dele e lendo suas inscrições nota-se que as pessoas não tem data de falecimento. Esse é o túmulo em estilo monumental mais atual do local. Para saber mais sobre a história assista a entevista com o dono dele:




quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A Planta e a Ressurreição


Na época antiga o homem sobrevivia da caça. Nesses idos havia o culto aos animais abatidos para a sua alimentação. A nação tinha sua fé depositada nessas criaturas.



Pinturas em cavernas.


Com o passar do tempo o homem deixa de lado a caça e começa a sobreviver pelas plantas. Nesse ponto surge a agricultura antiga. O animal abatido passa a ser substituído pela planta cortada que nutri a vida. Diferente dos animais, a planta é podada mas dela renasce novos galhos. Tinha-se uma imagem arcaica da ressurreição.

Cortar a planta, enterrá-la para que outra nasça, eis aqui a primeira idéia forte e simbólica de continuidade da vida. As pessoas eram sepultadas para renascer.

A idéia de quaisquer espécies de plantas é o ponto básico do pilar da vida eterna. Diversos túmulos se utilizam delas nos seus simbolismos. Claro que cada planta tem seu significado mas todas tem como raiz essa idéia ancestral. É a noção do sacrifício, não existe vida sem morte. A finitude terrena é um reflexo de continuidade mística como acontece nas plantas.

Da flora tiramos vários símbolos. A chamada árvore da vida é um dos principais. Jesus Cristo morre em cruz para ser essa árvore. A entrega de sacrifício para florescer a salvação da civilização. É a idéia de desvinculação da matéria para ascensão espiritual. Essa salvação é o fruto que brota nos galhos para as outras pessoas. Joseph Campbell diz “Você morre para sua carne e renasce para o seu espírito”.



Cristo árvore da vida.


O famoso ceifador vem desse pensamento sobre plantas. A imagem do ser todo envolto em um capuz (ou mesmo um esqueleto) segurando uma foice. Capuz ou a personificação do esqueleto por si só já representam a morte. A foice é usada para cortar a colheita de cada ano. Isso é um dos símbolos mais puros da finitude. Vem o ceifador e corta-se as plantas antigas para dar lugar as novas. A representação da passagem do tempo e da morte. Mas também se proclama a esperança do renascimento.



Representações do ceifador.


O ceifador é muito raro em cemitérios brasileiros. Existem poucas figuras da ligação de sua foice, mas no exterior é visto alguns exemplares. O uso desta alegoria acabou perdendo sua divulgação em jazigos com o passar do tempo.

Ceifador em um antigo mausoléu.


Ceifador representado em um jazigo como o Pai Tempo.


Outro ponto desse tipo do simbolismo é o verde. A planta que mantém sua cor original tem o significado que ela vence o tempo(vida eterna). Nesse caso podemos listar o pinheiro de natal, a palmeira e a hera (essas duas últimas amplamente utilizadas em cemitérios pelo mundo).



Pranteadora com ramo de palmeira no Cemitério da Santa Casa de Porto Alegre.


Sendo assim, as plantas são um dos simbolismos mais antigos da vida eterna. Delas é que tiramos nosso conceito básico de enterros.





Imagens de outros acervos(sem assinatura):
http://infografiaembasededados.files.wordpress.com/2008/09/pinturas-rupestres.jpg Acessado em 08/10/2009

http://razoesparagostardedeus.blogspot.com/2008/02/recriador-em-jesus-cristo-ii.html Acessado em 08/10/2009

http://en.wikipedia.org/wiki/File:Mort.jpg Acessado em 08/10/2009

http://en.wikipedia.org/wiki/File:Cholera.jpg Acessado em 08/10/2009

http://www.flickr.com/photos/cul_9/2748446444/ Acessado em 08/10/2009

http://www.flickr.com/photos/txmockbird/2522883860/ Acessado em 08/10/2009

Fonte de pesquisa:

Documentário de Joseph Campbell - O Poder do Mito trecho em <http://www.youtube.com/watch?v=Gib4WTfYi5o&feature=PlayList&p=E63AB5C7B9952853&index=2 > Acessado em 08/10/2009
Dicionário de Símbolos de Herder Lexikon.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

A Coluna Partida

A coluna grega é muito utilizada na arte funerária. Desde mausoléus até a sua presença solo. Ela representa a força de sustentação da vida. Porém, a forma mais interessante que é presenciada nos campos santos é partida.

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A coluna partida tem uma certa referência da maçonaria. Nos cemitérios da capital existem alguns casos. Ela basicamente tem dois significados:

1) Simboliza a morte de uma pessoa jovem. Praticamente não foi encontrado túmulo com essa referência em Porto Alegre.

2) A morte do patriarca. Essa simbologia é vastamente abordada nos cemitérios da capital. A coluna partida representa o pai de família falecido, visto que, ele era a "coluna" que sustentava a família.

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Vale ressaltar que muitas vezes é difícil identificar a coluna partida nos cemitérios de Porto Alegre. Isso acontece devido ao fato que muitas colunas parecem estar inteiras. A representação correta deveria ser feita com um pedaço caído perto da escultura, facilitando sua leitura. No cemitério da Santa Casa existe apenas uma nesse estilo: a do Dr. Augusto Alvares da Cunha.

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Exemplo de jazigo de coluna partida sem o pedaço caído:
Túmulo de Dr. Augusto Alvares da Cunha com o pedaço da coluna aparecendo:


segunda-feira, 6 de julho de 2009

O Jazigo de José Lutzenberger


Joseph Franz Seraph Lutzenberger foi um grande arquiteto e artista plástico do Rio Grande do Sul. Também conhecido por Joseph Lutzenberger Pai, ele desenvolveu diversos projetos como por exemplo: Instituto Pão dos Pobres, a Igreja São José e o Palácio do Comércio (todos esses em Porto Alegre). Seus prédios são destacados por serem de origem eclética e muitos arrojados. Também teve destaque na arte plástica com sua técnica arrojada.

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Na parte antiga do Cemitério São José de Porto Alegre encontra-se seu jazigo. Todo feito em pedra ele apresenta uma cruz, a face de Cristo morto e três placas. O que chama a atenção é a placa central, nela foi moldado em relevo o prédio do Palácio do Comércio e a Igreja São José, as obras primas do arquiteto.Na mesma figura é notada a presença de árvores, elas representam o renascimento do enterrado.



Palácio do Comércio
Igreja São José