segunda-feira, 26 de abril de 2010

Vídeo Viva o Centro a Pé Cemitérios 2010

Pequeno resumo do passeio ocorrido dia 24/04/2010 nos cemitérios da Santa Casa e Evangélico.

quarta-feira, 10 de março de 2010

São Miguel e os Mortos

São Miguel é um nome muito comum em funerárias espalhadas pelo mundo. Também temos diversos cemitérios e galerias de tumbas com o nome do referido arcanjo. Tal uso é justificado , segundo a tradição cristã , por ele ser uma espécie de guia e protetor para as almas. Para um estudo mais detalhado utilizaremos imagens de estátuas e passagens da bíblia.

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Em sua iconografia ele é representando portando uma balança. Esse instrumento é uma alegoria para a justiça divina. São Miguel chama os mortos para o dia do Juízo Final e pesa as almas. A passagem que ilustra essa característica encontra-se em Daniel 12, 1-3:

“Naquele tempo, surgirá Miguel, o grande chefe, o protetor dos filhos do seu povo. Será uma época de tal desolação, como jamais houve igual desde que as nações existem até aquele momento. Então, entre os filhos do teu povo, serão salvos todos aqueles que se acharem inscritos no livro. Muitos daqueles que dormem no pó da terra despertarão, uns uma vida eterna, outros para a ignomínia, a infâmia eterna. Os que tiverem sido inteligentes fulgirão como o brilho do firmamento, e os que tiverem muitos (nos caminhos) da justiça luzirão como as estrelas, com um perpétuo resplendor.”

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Miguel também aparece como protetor dos mortos na transição do plano de vida terrena. Novamente em sua iconografia aparece com uma espada flamejante matando um dragão sobre os seus pés. Essa criatura é a personificação do demônio no livro do Apocalipse 12, 7:

“E houve no céu uma grande batalha: Miguel e os seus anjos pelejavam contra o dragão, e o dragão com os seus anjos pelejavam contra ele; porém estes não prevaleceram, e o seu lugar não se achou mais no céu.”



Um bom exemplo prático nós temos no Cemitério da Irmandade de São Miguel e Almas de Porto Alegre. Em seu interior existe uma interessante estátua do arcanjo com sua espada e o dedo apontando para cima. Esse gesto significa a ordenação da ascensão do falecido. O monumento encontra-se em um ponto bem visível do campo santo, o que caracteriza seu sentido de proteção aos mortos. 


Fontes (todos acessados em 10/03/2010):

Bíblia Sagrada

http://www.catedralsaomiguel.org.br/padroeiro.php

Imagem: http://www.filhosdefatima.com.br/novosite/wp-content/sao-miguel.jpg

Imagem São Miguel e Almas Porto Alegre: http://www.portobusca.com.br/images/011_cemiterio.jpg


quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A Pranteadora Ausente


Diversos jazigos que encontramos em campos santos estão vazios. Suas peças são removidas e postas à venda em coleções de antiguidades. Um dos casos mais interessantes é o do Carlos Trein Filho no Cemitério Evangélico. Ele é abordado pela pesquisadora Luiza Carvalho em sua tese (2009):



(CARVALHO, 2009: 188-189)


Atualmente o jazigo continua vago, em fotografias obtidas em 2009 podem ser constatadas a falta da estátua, placas, vasos e o antigo nome removido. Não foram encontradas informações sobre quem comprou a pranteadora.


Falta das letras.

Detalhe da parte onde ficavam vasos de flores e pés da estátua.


A tese da Luiza analisa as pranteadoras do Cemitério Evangélico de Porto Alegre. Está disponível no seguinte endereço: http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/15708?show=full


sábado, 16 de janeiro de 2010

Fotos do Livro Cemitérios da Província

Ao final de 2009 foi lançado o livro Cemitérios da Província. Nele temos a pesquisa de Lívia Sorio e imagens feitas por Bruno Gularte Barreto. O fotógrafo prima por uma bela sensibilidade com ângulos bem enfocados nas faces das estátuas. Abaixo vai o vídeo com algumas dessas fotografias. São túmulos dos cemitérios da Santa Casa e do São Miguel e Almas (ambos de Porto Alegre).

Site do projeto: http://www.cemiteriosdaprovincia.com.br


segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Mais um Vídeo da Visita Guiada aos Cemitérios

Um programa de TV elaborou na época (27/06/2009) do passeio do Viva o Centro a Pé

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Monumento Novo na Santa Casa

Quem visita o Cemitério da Santa Casa se impressiona com um túmulo que leva uma estátua de paraquedista. Aproximando-se dele e lendo suas inscrições nota-se que as pessoas não tem data de falecimento. Esse é o túmulo em estilo monumental mais atual do local. Para saber mais sobre a história assista a entevista com o dono dele:




quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A Planta e a Ressurreição


Na época antiga o homem sobrevivia da caça. Nesses idos havia o culto aos animais abatidos para a sua alimentação. A nação tinha sua fé depositada nessas criaturas.



Pinturas em cavernas.


Com o passar do tempo o homem deixa de lado a caça e começa a sobreviver pelas plantas. Nesse ponto surge a agricultura antiga. O animal abatido passa a ser substituído pela planta cortada que nutri a vida. Diferente dos animais, a planta é podada mas dela renasce novos galhos. Tinha-se uma imagem arcaica da ressurreição.

Cortar a planta, enterrá-la para que outra nasça, eis aqui a primeira idéia forte e simbólica de continuidade da vida. As pessoas eram sepultadas para renascer.

A idéia de quaisquer espécies de plantas é o ponto básico do pilar da vida eterna. Diversos túmulos se utilizam delas nos seus simbolismos. Claro que cada planta tem seu significado mas todas tem como raiz essa idéia ancestral. É a noção do sacrifício, não existe vida sem morte. A finitude terrena é um reflexo de continuidade mística como acontece nas plantas.

Da flora tiramos vários símbolos. A chamada árvore da vida é um dos principais. Jesus Cristo morre em cruz para ser essa árvore. A entrega de sacrifício para florescer a salvação da civilização. É a idéia de desvinculação da matéria para ascensão espiritual. Essa salvação é o fruto que brota nos galhos para as outras pessoas. Joseph Campbell diz “Você morre para sua carne e renasce para o seu espírito”.



Cristo árvore da vida.


O famoso ceifador vem desse pensamento sobre plantas. A imagem do ser todo envolto em um capuz (ou mesmo um esqueleto) segurando uma foice. Capuz ou a personificação do esqueleto por si só já representam a morte. A foice é usada para cortar a colheita de cada ano. Isso é um dos símbolos mais puros da finitude. Vem o ceifador e corta-se as plantas antigas para dar lugar as novas. A representação da passagem do tempo e da morte. Mas também se proclama a esperança do renascimento.



Representações do ceifador.


O ceifador é muito raro em cemitérios brasileiros. Existem poucas figuras da ligação de sua foice, mas no exterior é visto alguns exemplares. O uso desta alegoria acabou perdendo sua divulgação em jazigos com o passar do tempo.

Ceifador em um antigo mausoléu.


Ceifador representado em um jazigo como o Pai Tempo.


Outro ponto desse tipo do simbolismo é o verde. A planta que mantém sua cor original tem o significado que ela vence o tempo(vida eterna). Nesse caso podemos listar o pinheiro de natal, a palmeira e a hera (essas duas últimas amplamente utilizadas em cemitérios pelo mundo).



Pranteadora com ramo de palmeira no Cemitério da Santa Casa de Porto Alegre.


Sendo assim, as plantas são um dos simbolismos mais antigos da vida eterna. Delas é que tiramos nosso conceito básico de enterros.





Imagens de outros acervos(sem assinatura):
http://infografiaembasededados.files.wordpress.com/2008/09/pinturas-rupestres.jpg Acessado em 08/10/2009

http://razoesparagostardedeus.blogspot.com/2008/02/recriador-em-jesus-cristo-ii.html Acessado em 08/10/2009

http://en.wikipedia.org/wiki/File:Mort.jpg Acessado em 08/10/2009

http://en.wikipedia.org/wiki/File:Cholera.jpg Acessado em 08/10/2009

http://www.flickr.com/photos/cul_9/2748446444/ Acessado em 08/10/2009

http://www.flickr.com/photos/txmockbird/2522883860/ Acessado em 08/10/2009

Fonte de pesquisa:

Documentário de Joseph Campbell - O Poder do Mito trecho em <http://www.youtube.com/watch?v=Gib4WTfYi5o&feature=PlayList&p=E63AB5C7B9952853&index=2 > Acessado em 08/10/2009
Dicionário de Símbolos de Herder Lexikon.